Transferência da Comarca: A parte sombria da história

Pretendendo descobrir o motivo pelo qual Lençóis Paulista teve a sua comarca transferida para a cidade de Agudos, chega-se à conclusão que deve ter sido somente o político. Faltou força política para os administradores municipais daquela época.
Amador Nogueira Cobra, em  “Recanto do Sertão Paulista”, escreve: “ Em 1899, foi transferida a Comarca de Lençóis, para Agudos, sem que possamos atinar com os motivos que levaria o Congresso a decretar a mudança.
O lugar em que assente a cidade de Lençóis é muito e muito mais pitoresco do que o de Agudos, as águas são excelentes e o clima incomparável;  o município é agrícola, tendo terras para café e campos lindos, lindos campos para a criação de gados. Durante dezenas de anos foi como que empório sertanejo. Todos os habitantes do Paranapanema afluiu a essa vila, para negócios comerciais, e forenses indo daqui a correspondência. Nada havia pois, que aconselhasse a transferência da sede da comarca”
Os excursionistas que por Lençóis passaram, deixaram as suas impressões, sobre uma terra, que impressionava à primeira vista. Todos os relatos indicam que  a política lençoense estava nas mãos de um só grupo, originário da árvore genealógica  do Coronel Joaquim de Oliveira Lima, aparentemente dividida, parte residente em Lençóis e a outra em Agudos.
No dia 26de abril de 1899, o Intendente (prefeito) Major Octaviano Martins Brisola, teve conhecimento, pela primeira vez, do pedido de Agudos, ao Congresso do Estado, solicitando a transferência da Comarca, deste, para aquele município. O sr. Brisola convocou imediatamente a Câmara, dando-lhe ciência do ocorrido. Naquela data, a Mesa da Câmara estava assim constituída: Eduardo Carr Ribeiro, Joaquim Diniz Galvão da França, Elias Francisco do Prado, José Ferreira Garcia, e Antonio Alves Maciel. Em Agudos, o movimento era liderado por  Delfino Alexandrino de Oliveira Machado, ex-vereador da Câmara de Lençóis, em diversas legislaturas. Ele era apoiado por outros que também tinham sido vereadores em Lençóis Paulista. Delfino Alexandrino não teve muitas dificuldades em manobrar o intendente Major Octaviano Martins Brisola e o presidente da Câmara Eduardo Carr Ribeiro, o Juiz de Direito Leocádio Leopoldino da Fonseca, para que dessem o seu parecer favorável à causa agudense, ou seja, a transferência da Comarca. Ficou evidenciado, posteriormente, que as autoridades lençoenses não se empenharam em impedir que a Comarca fosse transferida. Documentos chegavam atrasados ao Congresso do Estado, e nada foi feito para que Lençóis Paulista tivesse o maior prejuízo, e dissabor  de sua história. Assim, pela lei nº 635 de 1899, transferia-se a sede da Comarca de Lençóis, para São Paulo dos Agudos (como era conhecida a cidade de Agudos, naquela época). O ato processou-se na Secretaria da Justiça, sendo titular José Pereira de Queiroz e sancionado por Fernando Prestes de Albuquerque, presidente do Estado (Governador). Com a transferência da sede da Comarca para a cidade de Agudos, e com o atentado contra Dom  José Magnani, muitas famílias de Lençóis transferiram-se para Agudos, outras foram para locais mais distantes.
Desde então, Lençóis ficou despojada do seu elemento principal, politicamente falando, faltando-lhe os homens de ligação entre o Governo do estado e o município, não conseguindo, assim, melhoramentos que tanto necessitava.

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